Manuel Pembele Mfulutoma
Secretário Executivo da AJUDECA
Angola
21/04/2020


Até a data de hoje, Angola regista oficialmente 24 casos da Covid-19 dos quais 16 activos, 6 recuperados e 2 mortos. Foram criados nas 18 províncias do país centros de quarentena institucional para os cidadãos provenientes de países com transmissão comunitária da Covid-19. Desde 20 de Março de 2020, foram encerradas todas as fronteiras áreas, marítimas e terrestres. O estado de emergência decretado no dia 27 de Março foi prorrogado pelo igual período, no dia 11 de Abril e irá vigorar até o 25 de Abril. A razão da extensão desse peíodo deve-se entre outros motivos, pelo facto do primeiro período não ter resultados significativos, seja no controlo da pandemia, quer seja na obediência das populações a quarentena institucional e domiciliar.

Desde o dia 10 de Abril Angola conta com um total de 264 médicos cubanos que estão sendo destacados nas 18 províncias do país para conter o Covid-19. O governo adquiriu da África do Sul e China cerca de 17 toneladas de medicamentos e material hospitalar. De um voo humanitário, chegaram ao 147 cidadãos provenientes de Cuba no dia 20 de abril e que neste momento em quarentena institucional.

Os direitos humanos estão sendo autenticamente violados. Em pleno estado de emergência, principalmente nos centros das cidades um número não especificado de cidadãos foi recolhido obrigatoriamente pela polícia. Os indivíduos foram detidos e colocados em celas que carecem de mínimas condições.

Nas zonas mineiras as populações encontram-se nas dentro das suas casas, não podem ir os campos de cultivo e nem acarretar da água. O acesso a informação é extremamente limitado devido a falta da eletricidade, subscrição para canais digitais, jornais, pilhas para rádio, tendo como única fonte de informação as acções política-partidária.

Cidadãos estão sendo baleados e torurados pela polícia, e vêem seus bens serem usurpados. As populações carecem de alimentos e de meios de protecção como mascara, álcool em gel, sabão, água e outros bens da primeira necessidade. As praças estão fechadas, funcionando apenas nas terças-feiras, quinta-feira e sábado, das 6 horas da manhã até as 13 horas. Com as aulas paralisadas, muitos pais estão a enfrentar dificuldades na convivência familiar, devido a perda hábito com o corre-corre da vida; engarrafamento, procura de emprego, etc.

As mulheres e as crianças são as mais prejudicadas pela situação actual. As suas actividades de venda informal estão paralisadas. Muitas delas são obrigadas a andar de um lado para o outro em activides de venda informal e ao mesmo tempo correndo o risco de serem violadas e abusadas sexualmente. O governo obrigou os empresários a canalizar possíveis ajudas as administrações para que estas posteriormente distribuam as populações por eles achadas necessitadas. A intolerância política tomou lugar; A Governadora da província do Huambo recusa doação da UNITA (partido da oposição) enquanto a distribuição da cesta básica virou uma forma de campanha política para o MPLA, usando sacos com símbolos do partido.

A sociedade civil está a fazer a devida campanha contra o COVID-19, isto é, por falta de meios e de estratégias de sensibilização sobre medidas de prevenção em diversas línguas nacionais. A maior preocupação do país neste momento reside na capacidade de recolha de dados, testagem em massa, a fim de determinar o nível de contaminação comunitária da Covid-19. Agradecemos a rede Tunatazama, pela oportunidade de fazer ouvir a voz das comunidades angolanas em outros países do mundo.


So far Angola has officially registered 24 positive cases of Covid-19, of which 16 are active, 6 recovered and 2 deaths. Operating quarantine centers have opened in the country’s 18 provinces for citizens arriving from countries with community transmission from Covid-19. Since March 20, 2020, all sea and land borders have been closed. The state of emergency enacted on the 27th of March was extended for the same period, on the 11th of April and will remain in effect until the 25th of April. The reason for the extension of this period is due, among other reasons, to the fact that the first period did not produce significant results, either in terms of continuing the spread or forcing the population to self isolation.

Since April 10, Angola has a total of 264 Cuban doctors who are being deployed in the country’s 18 provinces to contain Covid-19. The government purchased about 17 tons of medicines and hospital supplies from South Africa and China. 147 angolan citizens arrived on April 20 from Cuba and are currently in institutional quarantine.

Human rights are being systematically violated. In the midst of a state of emergency, especially in city centers, an unspecified number of citizens have been arrested by police. These individuals were detained and placed in cells that lack minimal conditions.

In the mining areas, people spend most of their time at home. In fact, they cannot go to the cultivation fields, nor can get water. Access to information is extremely limited due to lack of electricity, subscription to digital channels, newspapers, radio batteries, leaving the political parties as they are the only source of information.
Citizens are being shot and tormented by the police, and they see their property being usurped. People lack food and means of protection such as masks, alcohol gel, soap, water, and other essential goods. The squares are closed, open only on Tuesdays, Thursdays and Saturdays, from 6 am to 1 pm. With school classes paralyzed, many parents are facing difficulties in family life, due to the loss of habit with the rush of life; traffic jam, job search, etc.

Women and children are far the most affected by the current situation. Its informal sales activities are paralyzed. Many of them are forced to walk around in informal sales activities and at the same time risk being raped and sexually abused. The government forced the entrepreneurs to channel possible aid to the government administrations so that the later will distribute the goods. Political intolerance has taken place; The Governor of Huambo province refuses donations from UNITA (opposition party) while the distribution of the basic food basket has become a form of political campaign for the MPLA, using bags with party symbols.

Civil society campaigning against COVID-19 is weak due to the lack of means and strategies to raise awareness about preventive measures in different national languages. The country’s biggest concern at the moment lies in its weak collection capacity, mass testing, in order to determine the level of community contamination at Covid-19. We thank the Tunatazama network for the opportunity to make the voice of Angolan communities heard in other countries around the world.